Opinião

Presidente Seguro e as Autonomias

1. Presidente Seguro e a Democracia ganharam

Com a vitória esmagadora de António José Seguro ganhou a Democracia, a Liberdade e a decência. Seguro mostrou que o sobressalto democrático vence o populismo, a mentira recorrente e a desinformação, o racismo, a xenofobia e aqueles que, sendo do sistema, aproveitam a tolerância para tentarem mudar o regime e a Constituição. André Ventura e o Chega perderam. Um partido de um homem só que aspira a ser um só partido, à semelhança do que previa a Constituição fascista de 1933.

António José Seguro é o Presidente da República de todos. Sem ressentimentos nem amnésia, fez uma caminhada política e profissional decente, pautada pela seriedade e pela cidadania.

2. A Autonomia e a Lei de Finanças Regionais (LFR)

Seguro era membro do Governo de António Guterres quando foi aprovada a primeira Lei de Finanças Regionais. Nas primeira e segunda revisões da LFR, enquanto Presidente do Grupo Parlamentar do PS e deputado, essas revisões deram maior previsibilidade nas transferências, reconheceram os custos da insularidade e da dispersão geográfica — algo que Alberto João Jardim contestou sem razão — e foram justas para os Açores, porque reforçaram a participação regional em IRS, IRC e IVA e aumentaram a autonomia fiscal dentro de certos limites. Foram alterações que reforçaram a autonomia financeira açoriana.

Infelizmente, com a Lei Orgânica n.º 2/2013, e com a conivência do PSD/Açores, Pedro Passos Coelho piorou a LFR, impondo grande austeridade que, ainda hoje, prejudica os Açores. O Presidente Seguro promoverá a coesão institucional, provando que a defesa das autonomias é mais do que uma questão legal: é estratégica e política.

3. Os 50 anos de Autonomia

Promovida pelo Governo de José Manuel Bolieiro, foi anunciada uma conferência sobre os 50 anos de Autonomia, cujo programa mais parece uma “tertúlia do velho PPD”. Não está em causa a conferência nem as presenças de Mota Amaral e de Alberto João Jardim. Inaceitável é a realização, à custa do erário público, de um evento sectário, porque nestes 50 anos houve também dois Presidentes socialistas que representam metade desse tempo e de conquistas autonómicas.

Esses revisionismos políticos não apagam as conquistas do PS, como a única Lei de Finanças Regionais conseguida pelo bom entendimento entre Carlos César e António Guterres. Sem a LFR, estaríamos na bancarrota. Em 1997, o insuspeito Fernando Teixeira dos Santos Fortuna admitia o forte desequilíbrio das finanças em 1995. Nesse mesmo ano, Saldanha Sanches, ilustre fiscalista, colocava no vermelho o endividamento dos Açores.

Hoje, a fraqueza política de Bolieiro adia uma nova LFR. As calamidades nacionais retardam decisões enquanto os Açores agonizam. Se a primeira década da Autonomia trouxe realizações positivas, a segunda década do PPD foi decadente e desembocou na grave crise financeira de 1995. Passados cinco anos de Bolieiro, o tal paradigma é a crise que se repete, sem soluções à vista. Nunca houve tantas empresas a dever tanto ao fisco — chamam-lhe economia robusta.

A herança que o PPD/PSD deixou e deixará foi e será sempre pior do que a recebida, como revelam muitos dados de entidades credíveis. Neste cinquentenário autonómico, voltaremos aos legados do PS para memória futura.